Borderline: Entendendo a Montanha-Russa Emocional e o Caminho da DBT
- Taynara Moreira
- 25 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 11 de jun.
Viver com o Transtorno de Personalidade Borderline é, muitas vezes, sentir toda intensidade de emoções e sentimentos na pele sem conseguir controlar ou entender como reagir.
Como psicóloga, uma das coisas que mais me marca no consultório é ouvir pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) descreverem sua experiência interna. Muitos dizem algo parecido com: “é como se eu vivesse numa montanha-russa emocional que nunca para, e eu nem sempre tenho o cinto de segurança.”
Essa metáfora não é exagero. Para quem tem TPB, as emoções costumam chegar de forma muito mais intensa, muito mais rápida e duram muito mais tempo do que para a maioria das pessoas. Uma frustração pequena pode se transformar, em segundos, numa sensação de desespero avassalador. Um comentário ambíguo de alguém querido pode ser sentido como uma rejeição total. E, quando essa onda emocional bate, é como se a pessoa fosse arrastada por ela, sem conseguir pensar com clareza, sem conseguir “dar um passo atrás”.
Isso tem um nome técnico: desregulação emocional. E não é falta de força de vontade, nem manipulação, nem drama, como infelizmente ainda se ouve por aí. É um padrão real de funcionamento do sistema nervoso, muitas vezes moldado por uma combinação de vulnerabilidade biológica e experiências de vida (especialmente ambientes invalidantes, onde a pessoa aprendeu, desde cedo, que suas emoções eram exageradas, erradas ou não mereciam atenção).
O quanto isso é difícil!
Quero ser honesta: viver assim é exaustivo. Não só para quem tem o transtorno, mas também para quem está ao redor: famílias, parceiros, amigos. As relações costumam ser intensas, marcadas por ciclos de muita proximidade seguidos de rupturas dolorosas. O medo do abandono pode ser tão grande que a pessoa, sem querer, acaba empurrando para longe justamente quem ela mais quer manter perto. A sensação de vazio crônico, a instabilidade na identidade (“quem eu sou, de verdade?”), os pensamentos e comportamentos autolesivos ou suicidas que muitas vezes aparecem como a única forma conhecida de aliviar uma dor emocional insuportável… tudo isso pesa.
E pesa também a culpa. Muita gente com TPB carrega um sentimento profundo de “eu sou o problema”, de vergonha por reagir “demais”, de cansaço por tentar se controlar e não conseguir. Por isso, antes de qualquer técnica, a primeira coisa que tento oferecer é isto: você não está exagerando, e o que você sente é real e válido, mesmo que precisemos trabalhar juntos para que essas emoções não te destruam por dentro.
O que fazemos na Terapia Comportamental Dialética (DBT)
A DBT foi criada justamente pensando em pessoas que sentem “demais” e que precisam de ferramentas concretas para sobreviver às próprias emoções sem que isso destrua suas vidas, relações e, em muitos casos, sem que custe a própria vida.
Ela se apoia numa ideia central, que dá nome à terapia: a dialética, ou seja, a capacidade de sustentar dois opostos ao mesmo tempo. Nesse caso: “Eu aceito você exatamente como você é, com toda a sua dor e, ao mesmo tempo, vamos trabalhar para que as coisas mudem.” Aceitação e mudança, juntas, sem uma anular a outra.
Uma palavra final...
Se você se reconheceu em algo deste texto: você não está quebrado, e não está sozinho. O TPB é um dos transtornos com melhor resposta a tratamento quando a pessoa tem acesso ao suporte certo. A montanha-russa não desaparece da noite para o dia, mas é possível aprender a usar o cinto de segurança e, com o tempo, até a conduzir o trajeto com mais autonomia.
Se algo neste texto trouxe à tona pensamentos de se machucar ou de acabar com a própria vida, por favor, não passe por isso sozinho, procure apoio profissional ou um serviço de emergência da sua região. Se quiser, posso te ajudar a pensar em como buscar esse suporte.
Referências:
Linehan, M. M. (1993). Cognitive-Behavioral Treatment of Borderline Personality Disorder. New York: Guilford Press.
Linehan, M. M. (1993). Skills Training Manual for Treating Borderline Personality Disorder. New York: Guilford Press





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