Transtorno Bipolar: O Caminho para o Equilíbrio
- Taynara Moreira
- 25 de jan.
- 2 min de leitura
Como sua psicóloga, antes de qualquer ferramenta, o primeiro passo no consultório é validar: o que você sente é real, tem uma explicação, e você não está “exagerando” nem “fingindo” nem na euforia, nem no fundo do poço.
Não há períodos em que tudo parece possível? A energia está no máximo, a criatividade flui, o sono parece desnecessário, os planos se multiplicam e a autoestima dispara. São os episódios de mania ou hipomania. E há períodos em que tudo desaba? A energia desaparece, a motivação some, até as tarefas mais simples parecem impossíveis, e a sensação de desesperança pode se tornar avassaladora. São os episódios depressivos.
E entre essas duas pontas, muitas pessoas com bipolaridade também enfrentam períodos de instabilidade emocional mais sutil, mas constante: irritabilidade, ansiedade, mudanças de humor que não se encaixam claramente num episódio “completo”, mas que mesmo assim afetam o dia a dia, os relacionamentos e o trabalho.
É importante dizer com todas as letras: o Transtorno Bipolar não é “estar de bom ou mau humor”. É uma condição que afeta profundamente a vida da pessoa e de quem está ao redor.
Durante a mania, decisões impulsivas, financeiras, sexuais, profissionais, podem ter consequências que demoram anos para serem reparadas. Durante a depressão, o isolamento, a culpa retroativa por aquilo que aconteceu no episódio anterior, e o medo constante de “quando vai vir a próxima virada” geram um nível de ansiedade crônica que poucas pessoas de fora conseguem entender.
Há também o luto por uma vida que parece sempre interrompida: projetos abandonados, relações desgastadas pelos altos e baixos, a sensação de nunca conseguir “manter o ritmo” como os outros. E existe ainda o peso do estigma, a ideia equivocada de que a pessoa é “instável”, “dramática” ou “imprevisível” por escolha, quando na verdade está lidando com uma condição neurobiológica real.
Se você se reconheceu neste texto: você não é a sua oscilação de humor, e não está condenado a viver sempre nesse vai-e-vem sem controle algum. Com o acompanhamento adequado: psiquiátrico e psicológico, é absolutamente possível reduzir a intensidade e a frequência dos episódios, recuperar a sensação de previsibilidade na vida, e reconstruir relações e projetos.
E se você está passando por um episódio agora, ou se pensamentos de se machucar ou de acabar com a própria vida surgiram em algum momento, por favor, não enfrente isso sozinho: procure seu psiquiatra, seu terapeuta, ou um serviço de emergência da sua região. Se quiser, posso te ajudar a pensar em como organizar esse pedido de ajuda.
Referências:
Van Dijk, S., Jeffrey, J., & Katz, M. R. (2013). A randomized, controlled, pilot study of dialectical behavior therapy skills in a psychoeducational group for individuals with bipolar disorder. Journal of Affective Disorders, 145(3), 386-393.





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